DESMISTIFICANDO A GORDURA

12/06/2018 Alimentação, Emagrecimento

Se fala muito na tal gordura, talvez não porque seja a coisa mais importante, mas sim porque é a coisa mais polêmica.

O Surgimento do Mito

Por volta dos anos 50/60 começaram as especulações para descobrir qual era a causa da doença cardio-vascular, e a ideia simplista que se tinha era que, como o que causava a doença era a artéria entupida por gordura, se as pessoas restringissem o consumo de gordura, estariam prevenindo a doença cardíaca.

A ideia em si, não é nenhum absurdo e até faz sentido. Porém quando falamos de dados científicos, uma informação não testada não tem fundamento. E essa tese de redução de gordura na dieta, só foi testada muito tempo depois.

Dessa forma, o que surgiu foi uma grande lacuna de tempo entre o que se dizia nos anos 50/60, que acabou virando uma diretriz, difundido como uma verdade, e o que realmente foi testado muitos anos depois . E foi nessa época que a pirâmide alimentar foi estabelecida, assim como alguns artigos escritos se baseando nessa “verdade”.

Hipóteses que vilanizaram inocentes

Mas essa tese só foi testada anos depois, onde se constatou que não existe uma relação dieta entre doença cardíaca e o consumo de gorduras na dieta. Sendo assim, essa ideia de que gorduras sejam a causa da doença cardíaca nunca passou de uma hipótese. E de hipótese ela passou para diretriz oficial antes que alguém tivesse a oportunidade de testá-la.

E o interessante de se perceber é que essa hipótese acabou se tornando verdade por uma triste coincidência, se podemos chamar assim. Porque as pessoas que consumiam gorduras de forma desmedida até então, eram pessoas que não se importavam muito com sua saúde. Pois todos que assistiam ou liam jornais, revistas, enfim, que acompanhavam a mídia, sabiam do “perigo” que representava a “gordura” para a saúde.

Mas se pararmos para analisar, essas mesmas pessoas, por não se importarem com a saúde, ou fumam, ou tem uma vida sedentária, ou bebem, ou seja, não se cuidam. E obviamente, por tudo isso, essas pessoas tendem a realmente sofrerem por problemas de saúde.

E ao se levantar a vida dessa pessoa, acaba-se culpando de forma errada a gordura por todos seus problemas de saúde, seja uma ou outra doença que ela venha a sofrer.

Saindo das Hipóteses

Porém, quando se começaram os estudos de caso, onde se sorteiam as pessoas em dois grupos distintos, e um deles se restringe o consumo de gorduras na dieta, e no outro não se altera a dieta, percebe-se que na verdade nada muda entre os grupos. Não verificou-se nenhum aumento ou diminuição entre os grupos de amostragem, no que se refere a câncer, doença cardio-vascular (aqui inclui-se doença cardíaca e AVC) entre outras doenças a quais eram atribuídas a gordura como vilã.

Segundo o Dr. Souto (fonte de consulta para esse artigo através de reportagem concedida a canal do YouTube), esse mito persiste pois “Saiu do papel de uma diretriz e passou a fazer parte da cultura, virou senso comum.”

Aqui vale esclarecer que existem classificações entre os macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras). Assim como os carboidratos não são todos iguais, assim também é com as gorduras.

No caso dos carboidratos, os que realmente causam problema são aqueles refinados, os farináceos, como o açúcar, a farinha de trigo, entre outros.

Entre as gorduras também existe essa classificação. Existem as gorduras refinadas e as gorduras naturais dos alimentos.

É muito diferente, por exemplo, se consumir a gordura refinada da soja, que é produzida através da aplicação de altas temperaturas, altas pressões, solventes orgânicos. E depois ainda se usa um desodorizante, um “descolorizante”, para tornar essa gordura algo consumível.

Esse produto é muito diferente da gordura que vem no salmão, por exemplo. E falamos do salmão pois ele tem muito mais gordura do que muitas carnes vermelhas. E ninguém acredita que o Salmão faça mal. É uma gordura saudável.

E aqui podemos citar até mesmo gorduras naturais de vegetais. Temos vegetais ricos em gordura, como o côco, o abacate, castanhas, nozes e azeitonas.

Assim também é com gorduras animais, como carne vermelha, peixe, carne suína, ovos e etc.

Substituição na Nutrição

Historicamente, são gorduras que fazem parte de alimentos naturais com os quais o ser-humano evoluiu. Faz parte da dieta a qual estamos adaptados.

Um paralelo muito interessante que o Dr. Souto faz, é comparando substâncias.

Por exemplo, se uma pessoa é orientada a parar de fumar, ela não necessita que outra substância seja consumida para substituir o cigarro. Ela simplesmente para de fumar e vive melhor assim.

Com a nutrição é diferente.

Se tiramos a gordura da dieta, estamos tirando fontes importantes de calorias, de energia para o corpo humano. Nesse caso, se faz necessário substituir, preencher essa lacuna com alguma outra fonte de energia.

A Desgraça Histórica da Nutrição

E o Dr. Souto diz que essa substituição foi historicamente a desgraça da nutrição do século XX. Foi a retirada da gordura que hoje a ciência sabe que não faz mal. E a substituição pelos carboidratos, principalmente os refinados, processados.

Quando falamos em gordura, podemos classificar entre as saudáveis, que faz bem ao ser-humano o seu consumo. As neutras, que não atrapalham nem ajudam, como por exemplo a gordura saturada da carne vermelha. Essa gordura não chega a ser uma fonte de alimentação saudável, que faz bem a saúde. Mas também não vai fazer mal, então se reconhece como uma gordura neutra. E as refinadas, que também fazem mal (como é também no caso dos carboidratos).

E aqui precisamos reconhecer que historicamente, quando as pessoas retiraram de suas dietas as gorduras saudáveis ou neutras, por acreditarem serem as causas da doença cardio-vascular, elas substituíram por carboidratos refinados. Não se aumentou o consumo de brócolis ou outras verduras que são boas fontes de carboidratos. Mas sim por açúcar, farinha de trigo e similares. Isso porque eram carboidratos mais saborosos e mais fáceis de consumir.

Entre os alimentos que se tornaram populares, que vieram para realizar essa substituição, podemos citar os cereais matinais, os biscoitos, macarrão entre outros.

Então se conclui que tirar algo que pode ser bom, ou na pior das hipóteses ser neutra, e substituí-las por péssimas fontes de alimentação, foi um desastre nutricional para a humanidade. E por isso hoje vemos um epidemia de doenças como câncer, diabetes, doença cardio-vascular e obesidade.

Como Reverter esse Processo Maléfico da Nutrição

Citando mais uma vez o Dr. Souto: “Para reverter isso, precisamos perder o medo da gordura”.

Se a solução é retirar da dieta esses carboidratos refinados, é necessário reverter o processo e substituí-los pelas fontes de gorduras dos alimentos naturais. E as pessoas precisam se conscientizar de que essas gorduras não lhe farão mal, pelo contrário. O potencial dessa reversão é um de um enorme bem à saúde.

Outro ponto importante é a saciedade que essas gorduras provenientes de alimentos naturais nos causa. O estômago esvazia mais devagar, deixando aquela sensação de barriga cheia por muito mais tempo.

E existem também hormônios que são produzidos em maior quantidade quando se consome alimentos naturais contém gordura e proteína, e não quando contém carboidrato, o que também aumentam a saciedade.

Chegamos então a um ponto fundamental quando falamos de estratégia alimentar como estilo de vida a longo prazo.

Resultados a Longo Prazo

Existem diversas dietas que resultam na perda de peso. Mas geralmente através de um grande sacrifício, passando muita fome, contando calorias. E por isso mesmo não funcionam a longo e médio prazo, invariavelmente resultando na volta do peso anterior (ou até maior).

Quando falamos de uma estratégia alimentar LCHF (Baixando o consumo de carboidratos e aumentando o consumo de gorduras), podemos afirmar que uma das grandes vantagens é que não se passa fome!

Algo libertador também, é que não se fazem necessárias aquelas contagens de calorias ou de porções de comida! Sem contar que os alimentos naturais ricos em gorduras são saborosos, logo se torna uma alimentação prazerosa.

Estudos Científicos que Confirmam a Verdade

O Dr. Souto ainda cita um estudo recente em que 60 mulheres participaram por 2 anos, onde aquelas que se utilizaram de gorduras em suas dietas, além de emagrecerem muito mais, tiveram melhores resultados em todos os exames. Entre esses exames ele cita: “Marcadores de inflamação, resistência a insulina…”.

Hoje, se tornou moda esses estudos, e todos eles acabam tendo os mesmos resultados, mostrando que o sentido correto, tanto para a perda de peso como para a saúde em geral, é realmente a reversão desse processo nutricional. Ou seja, a retirada dos carboidratos refinados da dieta e, em sua substituição, a inclusão de alimentos naturais ricos em gorduras.

E se todos os estudos acabam tendo os mesmos resultados, podemos afirmar que eles se confirmam entre eles, demonstrando qual a verdade frente a um mito.

Breve explicação sobre o Colesterol

E para finalizar, vamos entrar em outro assunto polêmico. O colesterol.

E o Dr. Souto afirma que o pai da ideia de que consumir alimentos ricos em colesterol aumenta o colesterol no sangue, já sabia que, por exemplo, consumir ovos, não tem esse resultado prático.

E segundo ele, a nutrição nesse caso se torna algo particular. Pois esse é apenas mais um mito que se tornou cultural.

Já existem dezenas de estudos que comprovaram que o colesterol da dieta não influencia no colesterol do sangue, e mesmo assim o senso comum diz que consumir alimentos ricos em colesterol faz mal.

E aqui citamos o ovo, que acabou sendo vilanizado sem ter culpa nenhuma. Mas esse é assunto para outro artigo.

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